No domingo do Dia das Mães, a rotina da zagueira Karen Cristina será marcada pela saudade. Em processo final de recuperação de uma lesão no joelho direito, ela permanecerá na Vila Olímpica para tratamento, enquanto o Atlético-MG viaja para enfrentar o Palmeiras pelo Brasileirão Feminino. O distanciamento torna concreto o conflito entre a agenda profissional e os compromissos afetivos: o filho, Ravi, mora em São Paulo, a cerca de 580 km de Belo Horizonte.

A história entre Karen e Ravi começou antes do nascimento: quando a ex-companheira descobriu a gravidez, a jogadora assumiu a responsabilidade pelo menino. A dinâmica familiar se construiu à distância e com esforço — chamadas diárias, vídeos e encontros espaçados por conta dos clubes. Karen chegou a não acompanhar o parto por estar em outro clube, conheceu o filho por vídeo e só pôde segurá‑lo pessoalmente meses depois.

Os gestos íntimos mostram a intensidade desse vínculo: a jogadora usa a camisa 24 em homenagem ao ano de nascimento de Ravi, guarda lembranças como pulseira e chaveiro com o nome do menino, e recorre ao cobertor que traz o cheiro do filho nos momentos de saudade. Ela contou que sente a dor de perder instantes escolares e celebrações, mas também a convicção de que oferece melhores condições ao menino por meio da carreira.

O caso expõe, em pequena escala, um dilema enfrentado por muitas atletas: conciliar tratamento, deslocamentos e calendário profissional com obrigações parentais. Para Karen, a decisão de assumir Ravi foi definitiva e carregada de sacrifício — um lembrete de que a proteção e a formação da família podem exigir escolhas difíceis diante das exigências do esporte profissional.