Em discurso nesta segunda-feira (13) na sede da Associação Comercial de São Paulo, o governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou que as recentes revelações do caso do Banco Master expuseram “toda a podridão” no Supremo Tribunal Federal, que — disse ele — “já estava cheirando mal há alguns anos”. Zema pediu o impeachment de “pelo menos dois” ministros, defendeu mudanças nos critérios de escolha, como a adoção de listas, e descreveu o momento do tribunal como uma “farra dos intocáveis”. As declarações foram proferidas num ato voltado ao empresariado paulista, palco onde o governador busca ampliar sua visibilidade nacional.

O tom duro contra o Judiciário é parte de uma tentativa explícita de atrair o eleitorado de direita, campo em que Zema tenta disputar espaço com nomes já mais consolidados. O problema imediato é que essa estratégia tem base frágil: no levantamento mais recente do Datafolha citado por ele próprio, Zema aparece com apenas 4% das intenções de voto — tecnicamente empatado com concorrentes de pouca expressão nacional. Diante desse patamar, ataques institucionais de alto risco podem até reforçar a fidelidade de um núcleo ideológico, mas dificilmente impulsionam crescimento massivo sem a construção de alianças e propostas econômicas claras que ampliem seu apelo.

A fala do governador também tocou em temas sociais e trabalhistas com frases que combinam recorte fiscal e tom punitivo: criticou beneficiários de programas sociais e chamou de “populismo” a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho (6 por 1) em ano eleitoral. Esse tipo de posicionamento reforça sua imagem de administrador preocupado com responsabilidade fiscal — coerente com seu currículo em administração e formação na FGV —, mas carrega custo político. Comentários sobre beneficiários podem ser interpretados como insensíveis e limitar o alcance eleitoral em camadas mais amplas da população, especialmente em cenário em que a agenda social é central para muitos eleitores.

Na segurança pública, Zema reiterou admiração por medidas adotadas em El Salvador sob Nayib Bukele, alinhando-se a uma narrativa de mão dura que ressoa à direita. Em tese, isso cria uma oferta clara ao eleitor conservador, mas traz riscos institucionais e de imagem — especialmente se a proposta implicar ruptura de garantias fundamentais. Em suma: a ofensiva contra o STF dá a Zema maior exposição e o posiciona com clareza ideológica, mas sua eficácia eleitoral é incerta. Com 4% nas pesquisas, resta ao governador transformar retórica em projeto abrangente e construir base política — caso contrário, o discurso de ataque ao Judiciário corre o risco de se resumir a espetáculo sem ganhos reais nas urnas.