Levantamento do instituto Quaest divulgado nesta quarta-feira revela que 47% dos entrevistados consideram que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro exerceu influência sobre decisões recentes do governo de Donald Trump. O número reforça a versão defendida pelo presidente Lula, que atribuiu ao parlamentar parte da responsabilidade pela ameaça de sobretaxas anunciada pela Casa Branca. Outros 35% concordam mais com a explicação de Flávio, que nega atuação a favor da medida, e 18% não souberam responder.
A pesquisa acende alerta também para o custo econômico da contenda diplomática: 55% dos ouvidos afirmam que eventual cobrança de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros teria impacto negativo em sua vida ou na de familiares. A proposta americana, resultado de investigação comercial sobre práticas consideradas restritivas ao comércio, ainda não entrou em vigor. O receio da população traduz um risco político concreto para aliados de Flávio e para aqueles que minimizam a gravidade do conflito comercial com Washington.
O levantamento mede, por fim, repercussões sobre segurança e imagem pública. A decisão dos EUA de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas já era conhecida por 63% dos entrevistados; 47% atribuíram a Flávio participação nessa classificação. A opinião sobre a medida americana ficou dividida (45% a favor e 45% contra), mas 60% defendem que o Brasil adote a mesma classificação. Os números expõem uma ambivalência: há apoio à ação firmada internamente, mas resistência à intervenção externa e suspeita sobre quem estaria influenciando decisões externas.
Com 2.004 entrevistas realizadas entre 5 e 8 de junho e margem de erro de dois pontos percentuais, a pesquisa (registro TSE BR-07661/2026) oferece um retrato do momento, não uma previsão eleitoral. Ainda assim, os dados complicam a narrativa oficial de fora de influência e ampliam a pressão sobre Flávio Bolsonaro e seu entorno, que terão de lidar com a percepção pública de responsabilidade por um episódio com potencial custo econômico e político significativo.