A nova pesquisa nacional da Indexa, divulgada nesta quarta (27/5), aponta que 47% dos entrevistados defendem que o Senado dê andamento a processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Outros 25% declaram-se contrários. O resultado sinaliza um grau relevante de insatisfação com a Corte e aumenta a pressão política sobre parlamentares que terão papel decisivo em eventuais processos.

O mapa do apoio é desigual: a Região Sul concentra o maior percentual favorável (56%), seguida pelo Centro-Oeste (55%), Norte (47%), Nordeste (45%) e Sudeste (43%). No recorte por gênero, 56% dos homens apoiam a medida, ante 39% das mulheres. Esses deslocamentos regionais e demográficos apontam para um desgaste mais acentuado em núcleos eleitorais específicos, informação útil para estratégias de atores políticos e para o próprio Senado.

O levantamento também consultou a opinião pública sobre limitar o tempo de permanência dos ministros: 39% apoiam a criação de mandatos de 12 a 16 anos, enquanto 36% são contra. A combinação de apoio ao impeachment e de abertura a mudanças no formato de nomeação e permanência no cargo indica um terreno propício para debates institucionais — ainda que seja impossível prever desfechos apenas a partir deste retrato.

A Indexa incluiu na mesma rodada perguntas sobre 2026: em cenário estimulado, Lula marca 39% e Flávio Bolsonaro, 30%; em possível segundo turno, 46% a 41% a favor do presidente. A pesquisa foi feita por telefone entre 22 e 24 de maio de 2026, com 2.000 entrevistas, nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos, registrada no TSE (BR-02154/2026). Os números representam um retrato do momento e acendem um alerta político sobre a combinação entre contestação às instituições e um cenário eleitoral ainda competitivo.