O desfile cívico-militar do Dia da Independência começa às 9h desta segunda-feira (7/9) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e tem duração prevista de cerca de duas horas. O evento contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, além de tropas do Exército, Marinha e Força Aérea. O governo definiu como eixos centrais a soberania nacional, o enfrentamento da violência contra as mulheres e a escolha do país como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027.

No eixo social, o combate à violência contra a mulher volta a ter destaque após o lançamento, em fevereiro, de um pacto nacional envolvendo os Três Poderes que reconhece o feminicídio como crise estrutural. Entre medidas recentes citadas pelo governo está a criação do Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência Contra a Mulher, instrumento apresentado como ferramenta para localizar e monitorar agressores e prevenir reincidência.

Na vertente externa e econômica, a ênfase na soberania chega em meio a atritos comerciais com os Estados Unidos: tarifas aplicadas a produtos brasileiros mantiveram-se apesar de protestos do Brasil, e críticas americanas ao sistema de pagamentos PIX foram citadas por autoridades como sinal da necessidade de proteção de interesses nacionais. Integrar essa agenda no desfile transforma o ato em palco para a defesa de uma narrativa de autonomia econômica e tecnológica.

O terceiro eixo é a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá de 24 de junho a 25 de julho com 64 jogos em oito cidades — São Paulo terá 10 partidas, Rio de Janeiro e Fortaleza nove cada — e cuja escolha do Brasil foi confirmada em maio. A organização do desfile prevê controle de acessos (arquibancadas pela via S1; entrada de carros pela via S2) e bloqueios de vias: N2 interditada para veículos a partir das 7h e N1 e N2 bloqueadas desde as 23h de domingo. Itens como bolsas acima de 100 cm e fogões foram vetados. No conjunto, o governo busca com o ato encadear pautas de imagem externa e agenda social sob o olhar público.