O último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas revela um quadro de forte indecisão entre eleitores fluminenses: 71,1% disseram não saber ou preferiram não responder quando questionados sobre o voto para governador do Rio de Janeiro. Para a disputa ao Senado, a parcela que não soube opinar supera 84%. O levantamento, registrado no TSE sob o número RJ04259/2026, ouviu 1.600 eleitores entre 29 de junho e 1º de julho de 2026, em 60 municípios. Esses números desenham uma eleição em aberta e impõem exigência imediata de articulação por parte de partidos e pré-candidatos.
Nas simulações espontâneas para o governo, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) aparece na frente, com 15,4% das menções, seguido por Douglas Ruas (PL) com 3,1%. Em cenário estimulado, no qual os nomes foram apresentados, Paes sobe para 54,12% das intenções, ante 14,6% de Ruas; brancos, nulos e indecisos ainda somam parcela relevante. A leitura política é óbvia: Paes conta com alta taxa de reconhecimento e capital eleitoral quando estimulado, mas a enorme massa de indecisos indica que seu desempenho depende de como serão consolidadas as candidaturas e as alianças. Para adversários e aliados, o desafio é transformar indecisos em apoios; para Paes, manter a dianteira requer evitar desgaste e ampliar presença além do núcleo já consolidado.
No pleito ao Senado, a deputada Benedita da Silva (PT) lidera a lista estimulada com 33%, seguida por Marcelo Crivella (25,9%), Márcio Canella (21,9%) e Pedro Paulo (21,5%). Quando Crivella é excluído do rol, Benedita avança a 34,9% e a disputa pela segunda vaga se nivela entre Canella e Pedro Paulo, ambos na casa dos 25%. A dispersão de intenções e a significativa fatia de brancos e nulos mostram que a eleição para o Senado pode ser decidida por movimentos de última hora, acordos regionais e campanhas de mobilização. Para partidos, a mensagem é clara: falta consolidação e sobra oportunidade para quem conseguir organizar melhor a base de voto.
O levantamento traz ainda o panorama presidencial entre eleitores do estado: Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 41,6% e o senador Flávio Bolsonaro com 38,6%, tecnicamente empatados dentro da margem de erro. O desempenho de Lula, que subiu 4,9 pontos desde abril, pode influenciar arranjos locais e recursos de campanha, mas o empate técnico evidencia polarização e risco de arrastamento das disputas estaduais. Em resumo, a pesquisa acende alerta para um processo eleitoral volátil no Rio: partidos e candidaturas terão pouco espaço para erro, e as próximas semanas serão decisivas para converter indecisos em votos ou para redesenhar alianças que hoje ainda não se mostram consolidadas. A foto é do momento, não uma previsão definitiva — mas indica necessidade urgente de estratégia.