A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) divulgou nota nesta terça-feira, após encontro com o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, para criticar a proposta de criar um 'selo de acurácia' para institutos eleitorais. Segundo a entidade, a minuta de resolução — distribuída a representantes de 16 organizações — prevê premiar os institutos que mais se aproximarem do resultado nas sete jornadas anteriores à votação.
Na avaliação da Abep, a iniciativa parte de uma premissa equivocada sobre o papel de uma pesquisa: elas registram intenção de voto no momento em que são feitas, e não prometem resultados futuros. A entidade destaca que eleitores mudam de opinião, podem deixar de votar ou alterar comportamento entre a entrevista e o dia da votação, de modo que exigir um 'acerto' equivale a confundir ciência com previsão.
A nota também aponta um risco prático: a existência de um selo remunerador pode criar incentivos perversos. Institutos com menos rigor metodológico poderiam simplesmente acompanhar e ajustar-se ao consenso apontado por pesquisas sérias na reta final, publicando números convergentes para maximizar a chance de receber a distinção, em vez de priorizar a qualidade técnica do levantamento.
Além do impacto sobre a qualidade da informação oferecida ao eleitor, a proposta levanta questões sobre o papel do TSE na regulação de pesquisas e os efeitos sobre a credibilidade dos levantamentos na véspera das eleições. Para a Abep, medidas voltadas à transparência metodológica e à fiscalização do cumprimento de normas são caminhos mais consistentes do que um selo que pode estimular o jogo de resultados.