O primeiro turno das eleições gerais de 2026 em São Paulo mostrou um índice de abstenção de 22,5%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual ficou acima da média nacional (21,6%) e representou cerca de 7,6 milhões de eleitores que não compareceram às urnas entre os mais de 34,1 milhões aptos a votar no estado.
A capital paulista registrou ausência ainda maior: 23,4% do eleitorado deixou de votar, totalizando mais de 2,1 milhões de eleitores ausentes. O número em São Paulo também ultrapassou a marca das eleições anteriores — 21,6% em 2022 (7,4 milhões) e 21,5% em 2018 (7,1 milhões) —, sinalizando uma tendência de crescimento da não participação que merece atenção das campanhas e das autoridades eleitorais.
Além da abstenção, o comportamento de votos brancos e nulos chama atenção. Na disputa pelo governo do estado, 5,11% votaram em branco (1,3 milhão) e 7,3% anularam o voto (1,9 milhão). Para o Senado, os brancos somaram 8,1% (4,2 milhões) e os nulos 9,7% (5,1 milhões). Nas eleições proporcionais, os percentuais de brancos e nulos também foram relevantes, o que indica desalento ou protesto entre parcelas significativas do eleitorado.
Do ponto de vista político, o resultado acende alerta: vitória com alta abstenção e taxas expressivas de brancos e nulos reduz a margem de legitimidade dos eleitos e dificulta narrativas de ampla representatividade. Para partidos e candidatos, o quadro complica a estratégia de mobilização rumo ao segundo turno e pode exigir ajustes táticos e discurso mais direto às bases que efetivamente comparecem às urnas.
Institucionalmente, o aumento da não participação exige avaliação sobre as causas e a adoção de medidas que incentivem a participação nas próximas fases do pleito. Enquanto isso, o resultado em São Paulo já tem efeito prático: pressiona campanhas a intensificar ações de engajamento, concentra o valor do voto dos mobilizados e deixa em aberto a dimensão real do mandato que será formado a partir deste eleitorado reduzido.