A coligação 'Brasil Pronto Pra Mais' — formada por Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSB, PDT e Federação PSol/Rede — entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral contra o Partido Liberal (PL) e o Instituto Álvaro Valle de Estudos Políticos e Sociais (IAV). O documento alega que mais de R$ 145 milhões foram transferidos pelo PL ao instituto para cumprir a obrigatoriedade legal de destinar pelo menos 20% do Fundo Partidário às fundações, mas que menos de 8% teriam permanecido na entidade e R$ 134 milhões teriam retornado ao partido.
Segundo a petição, as devoluções teriam sido classificadas como 'sobra financeira' ou estorno, e o IAV teria funcionado como uma 'conta de passagem'. A coligação aponta ainda que R$ 11,4 milhões retornaram ao PL entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais de 2024, com parte dos valores, conforme a peça, direcionada a candidaturas em cidades como Belo Horizonte, Niterói, Santos e Manaus. Há também menção a aplicações em fundos de investimento, o que, se confirmado, poderia manter os recursos disponíveis para uso eleitoral.
O processo cita pareceres técnicos da Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa) que apontariam problemas nas devoluções recorrentes. A representação destaca que o PL teria sido responsável por cerca de 73,7% das devoluções feitas por fundações partidárias entre 2024 e 2026. Como medidas cautelares, pede ao TSE a suspensão de novos repasses do IAV ao PL, o bloqueio de valores devolvidos que possam ser usados na eleição de 2026 e a preservação de documentos contábeis e extratos bancários das duas instituições.
A ação eleva o nível de escrutínio sobre o uso de recursos públicos por legendas e coloca o PL em posição de potencial vulnerabilidade política. Se as irregularidades apontadas forem comprovadas, haveria implicações práticas na igualdade de condições entre partidos e custo político para o partido. A Justiça Eleitoral deverá analisar a documentação antes de qualquer conclusão; até lá, permanece o caráter de alegação da representação.