O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passou a atuar nos bastidores em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do Rio de Janeiro, segundo interlocutores. A participação atribuída a Alcolumbre teria sido decisiva para que a federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — adotasse uma posição de neutralidade na disputa fluminense, em vez de se alinhar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

No Planalto, a movimentação é lida como um gesto estratégico: além de afastar um apoio direto à candidatura bolsonarista no berço do bolsonarismo, a neutralidade amplia a margem de manobra do governo no estado. Há também expectativa entre auxiliares de que Alcolumbre chegue a um aceno público de apoio à reeleição de Lula — um movimento que, se confirmado, terá custo político para setores do centro-direita e reforçará o redesenho das alianças regionais.

O encontro entre Lula e Alcolumbre ocorreu em Brasília, na residência do ministro do STF Alexandre de Moraes, e contou, segundo relatos, com a presença do ministro Cristiano Zanin. O gesto de conciliação entre Executivo e chefe do Legislativo sinaliza uma tentativa de reduzir atritos e facilitar a agenda do governo no Congresso, mas também expõe contradições internas na federação e pode aumentar a pressão sobre dirigentes do União Brasil que resistem ao distanciamento do bolsonarismo. Trata-se de um retrato do momento, não de uma definição irrevogável: a neutralidade no Rio reorganiza o tabuleiro local e acende alertas para a oposição, que terá de recalibrar estratégias.