Documentos cuja restrição de sigilo foi retirada pelo ministro André Mendonça revelam que integrantes de um grupo ligado ao empresário Daniel Bueno Vorcaro utilizaram repetidamente credenciais de servidores para consultar sistemas restritos do Ministério Público Federal. A investigação da Polícia Federal, anexada aos autos, descreve que arquivos trocados entre os investigados foram gerados a partir de usuários funcionais do órgão.
Relatórios citam que arquivos compartilhados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — identificado nas apurações como Felipe Mourão ou 'Sicário' — foram originados com o login de uma servidora efetiva do MPU, Alina Franco Boueres de Araujo. Em pelo menos uma busca, realizada em 23 de julho de 2024, o investigado teria pesquisado o CPF de Vorcaro e localizado 15 procedimentos, 11 dos quais estavam sob algum nível de sigilo; o acesso ficaria registrado em conta atribuída a outro servidor, Daniel Souza Iost.
Mensagens apreendidas mostram Mourão oferecendo-se para puxar informações sobre pessoas e empresas indicadas pelo empresário e afirmando dispor de amplo acesso aos sistemas. A Polícia Federal avalia que a dinâmica observada — consultas e extração de dados por meio de credenciais de terceiros — aponta para possível quebra de protocolos de segurança da informação ou uso indevido de prerrogativas funcionais.
Além de registros no MPF, o relatório menciona acessos a bases de outros órgãos de segurança e investigação, incluindo a própria Polícia Federal e organismos internacionais. O caso abre duas frentes: técnico-institucional, pela necessidade de auditoria e correção de falhas nos controles de acesso; e política, por ampliar a pressão sobre Vorcaro e levantar dúvidas sobre mecanismos de proteção de informações sensíveis no aparelho estatal.