O Congresso e o Executivo fecharam um acordo para retirar do projeto de renegociação das dívidas rurais a previsão de uso de recursos do Fundo Social, destinado a receber parte das receitas do pré‑sal. A senadora Tereza Cristina (PP‑MS) confirmou o entendimento após reunião entre parlamentares e membros do governo no Ministério da Fazenda, e o relator, senador Renan Calheiros (MDB‑AL), afirmou que a discussão deve ser retomada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
A proposta inicial previa que o Fundo Social viabilizasse o programa voltado ao agronegócio, mas a equipe econômica vinha se opondo à manobra para preservar a finalidade do mecanismo — educação, saúde, habitação popular, meio ambiente e combate à pobreza. Com a retirada do trecho, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT‑RS), disse que o Tesouro Nacional poderá buscar outras fontes para custear a iniciativa, e que o montante será definido a partir dos critérios ainda em debate.
O acordo reduz a chance de edição de medida provisória, segundo Renan, e mantém a proposta tramitando pelo projeto de lei. Mas abre uma interrogação fiscal concreta: se a transferência de recursos do Fundo Social é descartada, a pressão orçamentária pode recair sobre o Tesouro, sem que haja até o momento estimativa oficial do volume passível de renegociação. A semana anterior já havia ampliado prazos de carência e pagamento; regras finais sobre taxas e prioridades — como tratamento favorecido para produtores afetados por duas safras perdidas — seguem em negociação.
Politicamente, a solução evita um conflito direto sobre o uso do dinheiro do pré‑sal, preservando um argumento sensível para o governo, mas não resolve o problema central: quem pagará a conta e como isso afetará o ajuste fiscal. A expectativa é que a matéria avance no Senado com texto consolidado; o teste agora é transformar o consenso político em critérios técnicos e em estimativas que não comprometam a credibilidade fiscal do Executivo.