A decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de afastar da pauta votações consideradas controversas até o recesso parlamentar causou reação imediata da relatora do projeto que criminaliza a misoginia, deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Em nota, Tabata lamentou o adiamento e reafirmou que seguirá mobilizada para levar a proposta ao plenário no segundo semestre, convertendo a interrupção temporária em ponto de pressão política.

A relatora ressaltou ter buscado consenso amplo ao longo da tramitação, com reuniões e incorporações de sugestões de diversas bancadas, e afirmou que o único partido que não aceitou diálogo foi o PL. Tabata também tem defendido que o texto alvo de controvérsia não pretende cercear liberdade de expressão, mas responsabilizar condutas que configuram discriminação e violência contra mulheres — argumento central usado para manter a iniciativa viva no debate público.

O adiamento expõe uma tensão institucional: a decisão de priorizar matérias 'consensuais' funciona, na prática, como filtro que desloca temas politicamente espinhosos para um segundo plano, mesmo quando há mobilização parlamentar e repercussão social. Para a bancada feminina, que vinha promovendo atos e cobrando inclusão do projeto, a medida representa perda de momento político e um desafio adicional para a aprovação em plenário quando a atividade legislativa for retomada.

Mesmo com a suspensão temporária, a relatora mantém a agenda ativa e prometeu intensificar articulações com parlamentares e sociedade civil. Resta ver se a mobilização da bancada feminina e o debate público serão suficientes para retomar a prioridade do projeto depois do recesso — ou se a opção pela cautela capitaneada pela presidência da Câmara acabará por diluir o impulso que vinha levando a proposta ao voto.