Uma adolescente de Jaraguá (GO) está no centro de um inquérito da Polícia Civil após ser vítima de chantagem que a levou a praticar automutilação. A família só tomou conhecimento do crime quando a mãe denunciou o caso; o delegado Glênio Alves conduz as investigações. Segundo a polícia, o suspeito entrou em contato na plataforma de jogos Roblox, usou o codinome 'God' e migrou a conversa para o TikTok, onde passaram a ser feitas as ameaças.
De acordo com o apurado pela investigação, a jovem chegou a enviar um vídeo íntimo ao agressor. A partir daí houve coação: ele teria exigido que a vítima escrevesse a palavra 'God' no próprio corpo e se lesionasse. Depois, ainda conforme o inquérito, ela foi levada a instalar um aplicativo de chat em que outros homens também pressionaram a adolescente a se mutilar. O caso foi registrado pela polícia na sexta‑feira passada e está em fase de colheita de provas.
As plataformas envolvidas informaram que cooperam com as autoridades. O TikTok disse priorizar segurança e adotar tolerância zero contra abuso; a Roblox destacou políticas e controles — citando checagem de idade obrigatória para acesso ao chat e atualizações recentes de segurança. Ainda assim, o episódio segue padrão de outros casos, como a tragédia de Naviarí (MS), cuja investigação terminou por apontar falhas na resposta de plataformas e levou a medidas da ANPD contra serviços que não interromperam transmissões de risco em tempo hábil.
Politicamente, o caso acende alerta sobre a eficácia das medidas autorregulatórias e amplia a pressão por fiscalização mais rígida e respostas mais rápidas das empresas. Há custo reputacional e potencial custo regulatório para plataformas que não evitarem a exposição de menores. No plano prático, o delegado recomenda que pais intensifiquem a vigilância sobre conteúdos, jogos e aplicativos usados por crianças e adolescentes. O episódio expõe lacunas na proteção digital e tende a reforçar o debate sobre exigência de controles e protocolos de ação imediata por parte das empresas.