A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota nesta sexta em resposta ao anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de convocar delegados e agentes da corporação que estariam trabalhando em outros órgãos. O pronunciamento do presidente ocorreu em um evento na Embrapa Cerrados, em Planaltina, onde ele afirmou ter dado ordem ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para promover o retorno — com exceção dos que ocupam cargos de secretário de Estado.
A ADPF disse receber a declaração com preocupação e destacou que os delegados cedidos desempenham “funções estratégicas e de alta relevância” em ministérios, no Judiciário e no Legislativo. Segundo a associação, são 53 profissionais nessa situação, o que equivale a menos de 3% do contingente em atividade. Pela entidade, não há elementos para generalizar sobre comprometimento ou dedicação desses servidores.
No comunicado, a associação também contestou a narrativa de que a medida anunciada será decisiva no combate às facções. A ADPF pediu menos foco em proclamações e mais em medidas concretas, além de exigir a reabertura de uma mesa de negociação com o governo para discutir melhores condições de trabalho, incentivos para retenção de quadros e aperfeiçoamento das políticas de segurança pública.
Do ponto de vista político, a reação da ADPF coloca em xeque o efeito prático do gesto presidencial e ressalta um risco institucional: declarações que desqualificam agentes de segurança podem tensionar a relação entre o Executivo e as carreiras policiais sem, simultaneamente, apresentar soluções operacionais proporcionais ao problema. A associação oferece alternativa técnica — diálogo e melhorias — em oposição à ênfase na retórica.