O criminalista José Luís Oliveira Lima — conhecido como Juca — deixou a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à indefinição sobre a possibilidade de um acordo de colaboração premiada. A mudança foi confirmada por fontes ligadas ao caso após a Polícia Federal rejeitar a proposta inicialmente apresentada pelo banqueiro.
Juca havia assumido a defesa em março com a missão explícita de tocar as tratativas em busca de um acordo com a Procuradoria-Geral da República. Com trajetória em negociações relevantes durante a Operação Lava Jato, o advogado chegou a ser apontado nos bastidores como peça-chave para ampliar o diálogo com a PGR e reduzir a pressão judicial sobre Vorcaro.
Fontes consultadas pela reportagem disseram que a manutenção da prisão levou o empresário a considerar ampliar o escopo da colaboração — de início restrita a preservar aliados — e que a rejeição da PF altera substancialmente essa equação. Nos corredores do meio jurídico, há avaliação de que qualquer trecho de delação alinhado pela PGR enfrentaria obstáculos no Supremo Tribunal Federal, em especial por estar sob a relatoria do ministro André Mendonça.
A saída de Oliveira Lima adiciona complexidade às negociações: além de atrasar providências já em curso, força a defesa e a acusação a recalibrar estratégia. Em paralelo, a defesa chegou a pedir transferência de Vorcaro da cela da Superintendência para o 19º Batalhão da PM na Papuda, movimento que ilustra o desconforto com as condições atuais da custódia. O criminalista não respondeu aos pedidos de entrevista até a publicação.