O ex-governador Aécio Neves surpreendeu o cenário eleitoral em Minas Gerais ao confirmar, nesta sexta-feira (28/8), que vai concorrer ao Senado pelo PSDB. A decisão reverte a posição anterior, quando ele havia dito que permaneceria na direção partidária e não disputaria cargos nas eleições de outubro. Em coletiva, informou que a candidatura foi muito refletida e se colocou à disposição da coligação, que já havia publicado nota pedindo seu retorno à disputa.

A jogada teve efeito prático imediato: a federação PSDB-Cidadania, que vinha lançando outros nomes no estado, substituiu as candidaturas de Marcelo Heringer e Gustavo Galassi, deixando Aécio como aposta única para uma das vagas do Senado. A legislação eleitoral permite trocas até 20 dias antes da eleição — prazo que, neste ano, expira em 14 de setembro —, e foi utilizado para reorganizar a chapa. Vale lembrar que, em pesquisa recente do instituto Quaest, os nomes substituídos registraram 1% cada um, enquanto Aécio já figurava entre os mais citados em levantamentos locais.

No discurso político, Aécio disse que pretende formar uma chamada 'Bancada da Resistência' no Senado, com a proposta de unificar estados endividados para pressionar mudanças no Propag. Também anunciou que buscará atuação alinhada ao Centro, mantendo diálogo tanto com parlamentares ligados ao bolsonarismo quanto com aliados do presidente Lula, independentemente de quem esteja no Planalto. É uma tentativa clara de construir um papel de articulador e atenuar a imagem de polarizador do passado.

A candidatura traz vantagens e riscos para o campo não apenas em Minas, mas na cena nacional. Do lado positivo, Aécio oferece experiência, rede de contatos em Brasília e capacidade de articulação que o partido e prefeitos locais reivindicaram publicamente. Por outro lado, a volta ao jogo reabre o debate sobre renovação partidária e pode gerar frustrações entre lideranças que haviam lançado nomes próprios. Politicamente, a escolha mostra que a federação optou pela sinalização de força imediata em vez de consolidar candidaturas emergentes — uma estratégia que pode reduzir custos eleitorais no curtíssimo prazo, mas que deixa dúvidas sobre a manobra interna e o custo político de recolocar uma carreira já anunciada como interrompida.