O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, negou que a legenda tenha tomado a decisão de manter-se neutra na disputa presidencial de 2026. Segundo o dirigente, reportagens que registraram uma posição de neutralidade não refletem uma deliberação do partido. A definição tomada até o momento, afirmou, foi a de renunciar, por ora, à discussão de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.

Aécio reafirmou que a prioridade da direção nacional será o fortalecimento institucional via Congresso: reconstruir a bancada tucana na Câmara e no Senado para readquirir protagonismo no cenário político. O presidente também confirmou que, em agosto, o partido apresentará as bases de um projeto nacional batizado 'Brasil Real', com olhar voltado às eleições de 2030. O próprio nome do presidente e do senador Ciro Nogueira chegaram a ser citados em conversas sobre uma alternativa de centro.

A opção por concentrar recursos nas disputas legislativas é defensável do ponto de vista estratégico — sem bancada robusta, o PSDB tem pouco poder de negociação e visibilidade institucional. Ainda assim, a escolha tem custo político imediato: ao abrir mão, ainda que temporariamente, de uma presença própria na corrida presidencial, o partido reduz sua participação no debate de 2026 e corre o risco de ver outros atores centristas ocuparem esse espaço. A indefinição sobre apoios nas próximas semanas pode alimentar especulações e pressões internas, exigindo rapidez na conversão do discurso em resultados eleitorais.

A posição final do partido para 2026 será discutida pela direção nas próximas semanas. O anúncio do 'Brasil Real' em agosto será o primeiro teste concreto da estratégia anunciada por Aécio: se traduzido em xenformas eleitorais e recuperação de votos para o Congresso, pode justificar a aposta; se não, aumentará a cobrança por definição e por um projeto competitivo já para o próximo ciclo.