Integrantes da cúpula da Advocacia-Geral da União avaliam que há uma movimentação claramente orientada pela Polícia Federal com objetivo político: desgastar a imagem do ministro Jorge Messias. Fontes com trânsito no Judiciário ouvidas pela reportagem interpretam a circulação de informações sobre suposta inação da AGU como ação destinada a transferir responsabilidade e gerar constrangimento público para a chefia da pasta.
Segundo relatos, a insatisfação na PF tem origem na expectativa de que a AGU promovesse intervenção institucional diante do escaldaloso episódio que envolveu ministros do STF e negócios vinculados ao caso Lulinha e ao Dark Horse. A reação da AGU se limitou a tentativas de articulação — entre elas, marcar encontro entre André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — que não se concretizaram diante do aumento da temperatura política entre as partes.
No entorno do governo circulam ainda alternativas caso a sabatina de Mendonça no Senado não prospere: o desembargador Ricardo Couto foi citado como possível opção para indicação ao STF. Essa especulação eleva o custo político do episódio e transforma um conflito entre órgãos num problema de agenda para o Executivo, que vê sua capacidade de articulação e controle político testada.
A disputa expõe um nó institucional: quando forças de segurança e advogados do Executivo passam a se acusar mutuamente, a governabilidade e a imagem do Ministério Público da União e da AGU ficam em xeque. O episódio amplia desgaste para a gestão, complica a narrativa oficial sobre coordenação entre pastas e levanta questionamentos sobre quem detém iniciativa em crises que atravessam Judiciário e Executivo.