A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu recorrer da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Segundo interlocutores consultados pela reportagem, a linha de argumentação adotada pelo órgão será a de que a medida representou uma invasão de competência privativa do presidente da República, responsável por nomear e exonerar o chefe da corporação.

No recurso, a AGU deve sustentar que a intervenção monocrática do STF sobre um cargo cuja escolha é prerrogativa do Executivo ultrapassa os limites do controle judicial e fere a separação entre poderes. O questionamento mirará especialmente os contornos da atuação do Supremo em situações que tocam diretamente a competência administrativa do presidente — e a competência da Corte para atuar, segundo os advogados do governo, teria sido extrapolada.

A disputa abre um choque institucional com efeitos políticos imediatos: além de complicar a relação entre Executivo e Judiciário, a controvérsia tende a gerar incerteza sobre a estabilidade da liderança da PF e a instrumentalizar decisões técnicas em campo político. A reação da AGU, se aceita, pode restabelecer a prerrogativa presidencial; se rejeitada, ampliará o debate sobre limites do controle judicial e sobre até que ponto o STF pode definir substituições em órgãos de Estado.

O recurso formalizado pela AGU deve colocar a questão no centro do debate público e jurídico nas próximas semanas, forçando uma definição sobre competências presidenciais e os meios de supervisão do Judiciário. Para o governo, a ação é também uma tentativa de proteger a margem de manobra administrativa; para o Supremo, é um teste sobre o alcance de medidas cautelares contra autoridades nomeadas pelo Executivo.