Em vídeo de 12 minutos publicado nas redes sociais, o deputado estadual do Ceará Alcides Fernandes (PL) reagiu às críticas feitas por Michelle Bolsonaro e reafirmou que a decisão de setores do PL cearense de apoiar Ciro Gomes teve o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro desde 2025. Pré-candidato ao Senado, Alcides negou que sua articulação seja um projeto pessoal de poder e classificou as observações da ex-primeira-dama como demonstração de desconhecimento sobre a política local.

Ao lado do filho, o deputado federal André Fernandes, Alcides buscou rebater ponto a ponto o conteúdo do vídeo postado por Michelle na quarta-feira, em que ela defendia a candidatura da vereadora Priscila Costa e criticava aproximações com Ciro. Alcides disse que a construção da aliança foi feita publicamente e coletivamente — citando reunião da bancada do PL em Fortaleza, em 29 de maio de 2025 — e que a narrativa de ação às escondidas não corresponde à realidade que ele e aliados tentam explicar ao eleitorado.

O embate expõe uma fissura concreta no PL cearense e acende alerta sobre a capacidade de disciplina do partido nas vésperas da corrida para 2026. A troca de acusações público-privadas coloca Flávio Bolsonaro num papel delicado: embora tenha desejado zelo e pedido união em atos recentes, o senador vê sua base regional fragmentada entre defensores de candidaturas locais e segmentos que privilegiam acordos pragmáticos. A divergência também oferece munição à oposição e complica a narrativa de unidade que o bolsonarismo tenta manter nacionalmente.

Politicamente, Alcides buscou ainda se legitimar ao colocar a segurança pública como eixo de sua campanha e ao culpar o PT pela deterioração do tema no estado — argumento que visa consolidar votos à direita. Resta saber até que ponto a disputa interna será contida com gestos de conciliação, como os apelos públicos de Flávio, ou se evoluirá para custo eleitoral real para o PL no Ceará. O caso é mais um indicador de que a gestão de alianças regionais continuará sendo um teste para a estratégia eleitoral do bolsonarismo.