O vice-presidente Geraldo Alckmin entrou na reta final da campanha para cobrar explicações de Flávio Bolsonaro sobre a proposta de economia de quase R$ 200 bilhões no Orçamento. Em vídeo divulgado nesta terça, o pessebista questionou a origem das verbas e vinculou o pacote a medidas de austeridade similares às do presidente argentino Javier Milei, usando um tom informal para tornar a crítica mais direta ao eleitor.
A proposta do candidato do PL, segundo a equipe econômica coordenada por Daniella Marques, prevê um ajuste equivalente a 1,5% do PIB no primeiro ano — medidas como revisão do arcabouço fiscal, redução de ministérios, cargos em comissão e supressão de supersalários foram citadas como possibilidades. Até agora, porém, auxiliares do presidenciável não detalharam quais despesas seriam efetivamente atingidas para atingir a meta de economia.
Alckmin listou áreas que poderiam ser afetadas, citando mudanças em regras de reajuste de aposentadorias, restrições ao seguro‑desemprego e cortes em programas de distribuição gratuita de medicamentos, e aproveitou para resgatar episódios controversos ligados ao adversário — como menções ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e ao caso das rachadinhas — para questionar a credibilidade da fala pública do rival.
A ofensiva do campo petista tem objetivo claro: transformar a proposta de ajuste em um problema político para Flávio, destacando a contradição entre a promessa de preservar benefícios sociais e a necessidade, segundo a própria equipe do PL, de um corte amplo. Se não vierem detalhes, a leitura possível é dupla: ou o candidato não cumprirá a promessa de ajuste, ou está ocultando quais grupos e políticas sofrerão perdas — cenário que complica a narrativa e aumenta a pressão por clareza.