O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a tentativa de Flávio Bolsonaro de obter apoio de autoridades americanas para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas tem um propósito mais voltado à defesa dos interesses do próprio clã do que ao interesse público. A fala do vice republicano coloca em evidência uma estratégia política que, segundo ele, procura desviar o foco do Caso Banco Master, que foi citado como o maior episódio de corrupção e sonegação em debate público.

Alckmin avalia que a iniciativa exposta por Flávio — que agradeceu publicamente ao secretário de Estado Marco Rubio e disse ter tratado o tema pessoalmente com o círculo de Donald Trump — cria factoides e tende a deslocar o centro das discussões. Para o vice, além de não resolver o problema do crime organizado, a medida pode acarretar efeitos colaterais relevantes para a economia e o sistema financeiro brasileiro, ampliando o risco de repercussões internacionais indesejadas.

O episódio também reacende um confronto entre agendas: enquanto o governo federal e o Congresso ressaltam avanços legislativos no combate ao crime — com a recente inclusão de novos crimes e aumento de penas, além de restrições à progressão de pena — a tentativa de internacionalizar a questão criminal gera dúvidas sobre eficácia e motivação. O Brasil mantém uma definição legal restrita para atos terroristas, e a mudança de classificação proposta externamente foi recusada pelo governo, que aponta incompatibilidade com a lei nacional.

Politicamente, a movimentação de Flávio Bolsonaro e a reação de Alckmin acendem um alerta para o desgaste do núcleo bolsonarista. A tática de colocar a agenda nacional em segundo plano em função de disputas e constrangimentos pessoais pode custar apoio e desgaste institucional. Para analistas políticos, a disputa sugere necessidade de recalibrar estratégias: a oposição e o eleitorado costumam punir sinais de autodefesa política que sejam percebidos como desvio de prioridades.