O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, atribuiu nesta quinta-feira ao governo do Distrito Federal a responsabilidade por irregularidades apontadas nas negociações envolvendo o Banco de Brasília. Em entrevista no Palácio do Planalto, ao comentar medidas de crédito, Alckmin disse que, por se tratar de instituição controlada pelo DF, a capitalização e a condução de eventuais ajustes são atribuição do governo local. O pronunciamento ocorreu enquanto o presidente titular viaja à Europa.
A declaração veio horas depois da prisão, pela Polícia Federal, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. As investigações apontam que Costa teria favorecido o Banco Master — liquidado pelo Banco Central no ano passado — em operações com a instituição do Distrito Federal. Embora o Master não tenha sido adquirido pelo BRB, a instituição pública comprou mais de R$ 30 milhões em ativos do banco liquidado.
No mesmo dia, o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou ser contrário à ideia de um socorro federal ao BRB. A posição é respaldada pelo Ministério da Fazenda, que vem sinalizando que não deve apoiar medidas como a federalização ou a capitalização com recursos da União, deixando a solução da crise sob responsabilidade do GDF.
O posicionamento do Planalto e da equipe econômica reduz a exposição fiscal do governo federal, mas amplia o desgaste político sobre as autoridades do Distrito Federal. A transferência clara de custo e responsabilidade tende a pressionar a gestão local por respostas rápidas e a complicar a relação entre União e DF, ao mesmo tempo em que concentra na esfera distrital o ônus político e administrativo da crise.