O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como “injusta” a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para impor tarifa de 25% a produtos brasileiros, resultado de investigação sobre supostas práticas que onerariam o comércio bilateral. Na manhã desta terça, Alckmin e ministros, entre eles o da Fazenda, estudaram uma resposta coordenada do governo.

Como próximo passo, o Itamaraty tentará diálogo com o representante comercial americano durante encontro da OCDE em Paris, e o Palácio planeja envolver a iniciativa privada — incluindo a Amcham e empresas americanas presentes no país — para reforçar argumentos em favor do comércio bilateral. Alckmin também defendeu o Pix como um ativo nacional e citou dados sobre propriedade intelectual e tarifas setoriais, apontando diferenças em etanol e regimes de açúcar que, segundo ele, comprometem o equilíbrio comercial.

A repercussão política é imediata: a recomendação do USTR acende um alerta para a agenda externa do governo e complica a narrativa governista sobre estabilidade das relações comerciais. Mobilizar empresas e diplomacia é uma resposta necessária, mas insuficiente para eliminar riscos práticos — sobretudo para setores exportadores que podem sofrer retaliações tarifárias. Em Brasília, a pressão tende a crescer por soluções rápidas que evitem danos econômicos e políticos.

O governo tem agora prazo e estratégia a desenhar: negociar no plano diplomático, buscar apoio do setor privado e demonstrar perante Washington que eventuais medidas brasileiras não configuram barreiras indevidas. A ação marcada para Paris será, neste momento, o principal termômetro sobre a capacidade do país de conter a escalada e proteger interesses comerciais sem sacrificar a defesa de políticas públicas reconhecidas internamente.