Geraldo Alckmin voltou a colocar transparência no centro do discurso público ao afirmar, em entrevista ao CB.Poder, que a vida pública exige prestação de contas permanente. Para o vice, sobressair da regra de acesso a informações — bancárias, fiscais ou telefônicas — não deveria ser opção de quem ocupa a Presidência, já que o cargo impõe obrigação de explicar atos e relações à sociedade.

Ao comentar o último debate presidencial, Alckmin criticou a postura do senador Flávio Bolsonaro e disse que as 19 exigências apresentadas para abrir sigilos soam mais como um mecanismo para evitar a divulgação de dados do que como condição legítima de investigação. A declaração transforma um tema técnico em contingência política, pressionando o entorno bolsonarista a justificar a estratégia de resistência.

Politicamente, a defesa pública de maior abertura por parte do vice tem efeito duplo: afasta dúvidas do eleitorado de centro sobre compromisso com probidade e ao mesmo tempo complica a narrativa da oposição que procura enquadrar pedidos de transparência como perseguição. A posição de Alckmin também pode gerar desgaste entre aliados que preferem tratar sigilos como fronteiras de privacidade institucional.

A proposta de limar a possibilidade de sigilo para presidentes levanta debates institucionais sobre equilíbrio entre privacidade e interesse público e promete ser um ponto de atrito na campanha. Mais do que uma crítica conjuntural a Flávio Bolsonaro, a fala de Alckmin aciona pressão por respostas claras — e cobra, na prática, que candidatos e dirigentes expliquem quais limites consideram aceitáveis.