O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em entrevista regional que candidatos à Presidência deveriam abrir suas movimentações bancárias, fiscais e telefônicas, defendendo prestação de contas permanente à população. A declaração foi dada em Campinas, a cinco dias do segundo turno, e traz ao centro do debate a tensão entre privacidade e interesse público.

Alckmin aproveitou a fala para criticar o senador Flávio Bolsonaro, mencionando denúncias que já circulam sobre movimentações ligadas ao Banco Master e suspeitas envolvendo rachadinhas e servidores fantasmas. Além do tema da transparência, o vice também comentou propostas econômicas e sociais, como a elevação do limite do MEI e a ideia de transporte público gratuito nos fins de semana, financiado por emendas parlamentares.

Do ponto de vista político, a defesa pública do fim do sigilo tem efeito imediato: amplia a pressão sobre candidatos com denúncias em curso e muda o tom da campanha para a arena da integridade. Institucionalmente, porém, a proposta enfrenta obstáculos óbvios — garantias constitucionais de privacidade e sigilo bancário e fiscal exigiriam alterações legais ou decisões judiciais, o que torna improvável uma mudança rápida antes do pleito.

Na prática, a sugestão de Alckmin acende um alerta para a reta final: força adversários a responderem com mais detalhe sobre sua vida financeira, complica narrativas de defesa e deve provocar reação de partidos e tribunais. Se transformar-se em proposta legislativa ou medida administrativa, será também um teste sobre até que ponto o eleitor exige transparência imediata e as instituições estão dispostas a limitar sigilos em nome do escrutínio público.