O vice-presidente e candidato à reeleição na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira, em Salvador, ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos nos casos de crimes graves. A declaração foi dada em conversa com jornalistas durante agenda de campanha ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto avança no Senado a análise da PEC da Segurança Pública.

Alckmin citou explicitamente delitos como latrocínio, homicídio e crimes contra a vida ao justificar a posição. O tema ganhou reforço do campo mais conservador da coalizão: uma emenda proposta pelo PL, ligada ao presidenciável do partido, entrou como proposta de alteração à PEC já aprovada pela Câmara. A proposta principal, de origem do Executivo, tramita agora no plenário do Senado, e o governo vincula sua aprovação à possibilidade de criar um Ministério da Segurança Pública.

A tomada de posição do vice acende alerta sobre o desenho político da campanha: ao endossar pauta tradicionalmente defendida pela direita, Alckmin tenta ampliar apelo em setores preocupados com segurança, mas expõe contradição interna na aliança que sustenta o presidente. Ao comentar a votação no Senado que acaba com a escala 6x1, ele também avaliou que o apoio do PL ao texto decorre de cálculo eleitoral — discurso que pode complicar a narrativa oficial ao mesmo tempo em que busca neutralizar críticas de adversários.

Do ponto de vista prático, a convergência em segurança pode render ganhos políticos imediatos, mas traz custos: tensiona lideranças progressistas e obriga o núcleo do governo a explicar como compatibilizar medidas punitivas com políticas sociais e direitos da infância. Com a sessão no Senado marcada para a tarde, o resultado servirá de termômetro sobre a capacidade da base de transformar alinhamento de declarações em maioria legislativa.