O vice-presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), reafirmou nesta quinta-feira a defesa da chamada 'taxa das blusinhas' — imposto de 20% sobre compras internacionais até US$50 — e justificou a manutenção da cobrança como mecanismo de proteção à indústria nacional. A posição foi exposta em conversa com jornalistas em Brasília, num momento em que a medida já vinha sendo públicamente questionada por integrantes do próprio governo.

Alckmin argumentou que, ao somar o imposto sobre importação com o ICMS estadual, a tributação incidente sobre pequenos pacotes estrangeiros ainda fica abaixo do custo efetivo suportado pelo produtor nacional, que, segundo o vice, chega a quase 50%. A tese é a da equiparação de condições de concorrência com o mercado produzido internamente, em defesa de cadeias produtivas locais que veem competição crescente do comércio eletrônico internacional.

Do outro lado do Planalto, houve reação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou a taxa como desnecessária, destacando que se trata de compras muito pequenas e que a cobrança atingiria sobretudo consumidores de menor renda, com impacto político e social indesejado. O ministro José Guimarães também disse ser favorável a discutir a revogação. A crítica pública de aliados expõe uma divisão difícil de administrar politicamente e abre espaço para pressões contraditórias dentro da coalizão.

A queda de braço sobre a tarifa põe o governo diante de um dilema clássico: equilibrar medidas de proteção à indústria sem gerar custo político por penalizar o consumo de baixa renda. A disputa interna pode obrigar mudanças de tom ou de estratégia, com risco de desgaste para a coordenação econômica do Executivo. Em curto prazo, a questão tende a mobilizar parlamentares, setores produtivos e consumidores, forçando o Planalto a conciliar argumentos técnicos e sensibilidade política.