O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), desconversou neste sábado sobre a possibilidade de revogação da chamada "taxa das blusinhas": "foi uma decisão do Congresso Nacional, não há ainda uma posição sobre isso", afirmou a jornalistas durante visita a concessionárias no Entorno do Distrito Federal. Alckmin disse que já se pronunciou a favor da manutenção do tributo e que aguardará definições.

Na defesa da medida, o presidente em exercício argumentou que a tarifa de 20% ajuda a proteger a indústria nacional, ao comparar a carga incidente sobre importações com os custos dos produtores internos. Segundo ele, somando imposto de importação e tributos estaduais, a carga sobre as compras pequenas ficaria inferior à enfrentada pelo setor industrial no país.

O pronunciamento acentua a falta de consenso dentro do próprio Planalto. Nos últimos dias, o presidente Lula classificou a taxa como "desnecessária" e observou que atinge consumidores de menor renda; o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política, chegou a dizer que revogar a medida seria uma "boa ideia". O tema, portanto, coloca em evidência contradições públicas entre integrantes do governo.

O impasse tem implicações políticas concretas: além de pressionar a articulação no Congresso, o debate exige costura fina entre a defesa da indústria e as preocupações sociais. Com o retorno de Lula previsto para a próxima semana, a tendência é que a decisão — legislativa por origem — permaneça sob influência de avaliações políticas e econômicas, enquanto o governo busca alinhar discurso e estratégia.