O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como um factoide a recente decisão dos Estados Unidos de rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, ao associar a medida a uma tentativa do clã Bolsonaro de desviar atenção do escândalo envolvendo o Banco Master. Em agenda em Caraguatatuba, Alckmin criticou a priorização de interesses pessoais em detrimento do país.
Alckmin argumentou que a designação estrangeira dificilmente trará avanços no combate ao crime e advertiu sobre efeitos nocivos para a economia. A declaração veio após o anúncio dos EUA, que coincidiu com encontros em Washington entre o senador Flávio Bolsonaro, o secretário de Estado Marco Rubio e, dias antes, uma reunião com o ex-presidente Donald Trump em que esteve presente também Eduardo Bolsonaro.
A crítica do vice-presidente chega num momento em que reportagens do The Intercept Brasil trouxeram à tona mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao dono do Banco Master para custear parte da cinebiografia do pai. Segundo as informações publicadas, o acordo previa R$ 134 milhões para a produção, dos quais pelo menos R$ 61 milhões teriam sido liberados — elementos que reforçam o foco público no caso financeiro e tributário.
O episódio se insere num quadro mais amplo de reorientação da política externa americana para a região, com a retórica do "narcoterrorismo" e ações militares recentes citadas pelo governo norte-americano. Para Alckmin, além de pouco eficiente para reduzir a criminalidade, a medida tem potencial de produzir efeitos diplomáticos e econômicos indesejáveis, enquanto mantém a atenção pública no escândalo do Banco Master e amplia o desgaste político do clã ligado ao ex-presidente.