O vice-presidente Geraldo Alckmin reagiu nesta terça-feira às recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que sugerem a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Sem citar nomes, Alckmin atribuiu a iniciativa a “sabotadores” e disse que atos que priorizam interesses pessoais e eleitorais prejudicam o diálogo bilateral e têm efeito direto sobre emprego, renda e empresas brasileiras. A fala teve como cenário uma agenda em Catalão (GO).

A crítica do vice foi seguida por manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Lula chegou a aludir aos chamados “meninos de Bolsonaro” e Rosa apontou diretamente a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, afirmando que iniciativas dessa natureza podem produzir retrocessos e atrapalhar a cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas.

Do ponto de vista econômico, o governo destaca que, na hipótese em que as recomendações se convertessem em tarifação, 21% do que o Brasil exporta aos EUA ficaria exposto — enquanto 54% estaria preservado do chamado 'tarifaço' e 25% está ligado a medidas da seção 232. Rosa listou setores que seriam mais afetados: máquinas e equipamentos, plásticos, madeira e esquadrias, papel, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos — segmentos com maior conteúdo de valor agregado e impacto sobre emprego.

Além de sustentar que a aplicação efetiva das tarifas é improvável, o governo tenta preservar o quadro de diálogo técnico-diplomático costurado na visita de Lula a Washington. Ainda assim, o episódio expõe uma vulnerabilidade política: ações de parlamentares e grupos que tensionam a relação com os EUA podem custar caro à agenda comercial do país e forçar uma resposta mais incisiva da diplomacia e do próprio Executivo para mitigar riscos práticos e eleitorais.