O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, participaram nesta terça-feira (21) da missa pelos 66 anos de Brasília, na Catedral Metropolitana. Ao deixar a celebração, Alckmin foi questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de expulsar o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho e limitou-se a dizer que se tratou de uma decisão do governo norte-americano, que o Brasil aguarda esclarecimentos e que ele não dispõe de informações detalhadas no momento.
A retirada do delegado ocorreu depois que Carvalho ordenou a prisão, em solo americano, do ex-deputado Alexandre Ramagem. Em comunicado, autoridades dos EUA justificaram a medida afirmando que não toleram tentativas de utilizar o sistema de imigração para contornar processos formais de extradição ou estender disputas políticas, e solicitaram que o agente brasileiro deixe o país.
O episódio também foi comentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na Alemanha. Segundo ele, informado apenas nesta manhã, se houve abuso por parte dos norte-americanos o Brasil deve agir com reciprocidade. Lula afirmou que o país não pode aceitar ingerência de autoridades estrangeiras que interfiram em processos envolvendo agentes brasileiros.
A postura reservada de Alckmin evita um confronto imediato com Washington, mas não elimina o custo político. A diferença de tom entre o presidente em exercício e o chefe da Esplanada amplia o desgaste sobre a coordenação do governo em temas sensíveis e acende alerta para a relação bilateral com os EUA. Resta saber se o episódio exigirá respostas formais do Itamaraty e que efeitos terá sobre a atuação de investigadores brasileiros no exterior.