O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira, em visita à Avibras em Jacareí (SP), que o governo continuará privilegiando a via diplomática para tratar das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Questionado sobre a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, disse que o instrumento existe, mas que a prioridade do Executivo é manter o diálogo com Washington. Alckmin ressaltou também que a medida americana atinge um conjunto de 86 países, entre eles membros da União Europeia, o que amplia o caráter multilateral do problema.
Ao qualificar as justificativas norte-americanas — como as alegações de trabalho forçado — como infundadas, o vice tentou reduzir a tensão política, mas a opção por negociar em vez de responder com medidas de reciprocidade tem custo prático. A manutenção do diálogo evita uma escalada comercial imediata com o maior parceiro econômico global, porém deixa exportadores sujeitos a danos temporários que dependem da eficácia e velocidade das tratativas diplomáticas.
O governo anunciou também um pacote de R$ 18,5 bilhões em medidas de apoio aos setores afetados, com linhas de crédito para capital de giro, investimentos e aquisição de bens de capital. Essa intervenção financeira tende a ser vista como paliativa: alivia pressão de curto prazo, mas não resolve a perda de espaço em mercados externos nem corrige distorções em cadeias produtivas que demandam estratégias estruturais, como a diversificação de clientes e agregação de valor às exportações.
Do ponto de vista político, a escolha pela negociação impõe um prazo ao Executivo para mostrar resultados concretos. Se as conversas com Washington não avançarem com rapidez, a alternativa legal — a Lei da Reciprocidade — pode voltar ao centro do debate e ampliar a cobrança de setores produtivos e da oposição. A agenda a vigiar passa pela execução do pacote de apoio, pela velocidade das negociações e pelo progresso na abertura de novos mercados.