Geraldo Alckmin, candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, definiu a linha da campanha para o segundo turno: humildade e diálogo com eleitores — sobretudo os indecisos e os que não compareceram às urnas. Em entrevista ao programa CB.Poder, o vice afirmou que a disputa se resolve na comparação entre projetos e que a chapa governista se apresenta como defensora da democracia e da Constituição, contrapondo-se a adversários que, segundo ele, têm 'saudade da ditadura'. O recado é claro: o foco é marcar diferença programática e institucional para convencer eleitores moderados e aqueles desencantados.
Além do discurso político, Alckmin colocou no centro da agenda a investigação sobre uma possível interferência da Meta nas eleições. Ele lembrou que a empresa admitiu ter provocado prejuízo à campanha do presidente e criticou a justificativa de ausência de intencionalidade. Ao pedir apuração, a campanha transforma um problema de comunicação online em uma questão institucional que pode envolver órgãos reguladores, acender alerta sobre a influência de plataformas e ampliar pressão por transparência no processo eleitoral.
Nos números trazidos pelo vice há um diagnóstico objetivo da batalha eleitoral: a pesquisa Quaest citada por Alckmin registra diferença de 1 ponto, praticamente empate técnico, e ele destacou também a distância nas taxas de rejeição — 52% para o adversário e 47% para Lula. A campanha aposta na 'curva' de crescimento registrada nas ruas e nas redes e aposta em conquistar 33 milhões de abstenções do primeiro turno, além de eleitores que optaram por outros candidatos. Para a chapa, reduzir rejeição será fator decisivo no segundo turno: com dois nomes em disputa, o eleitor decide por exclusão.
A estratégia combina ofensiva de contrastes (valores democráticos, ações em saúde e programas sociais) e tentativa de institucionalizar denúncias contra grandes plataformas. Politicamente, isso complica a narrativa adversária e amplia o custo reputacional para quem for visto como antidemocrático; institucionalmente, coloca empresas de tecnologia sob escrutínio público. Resta à campanha transformar a atração percebida nas ruas em votos concretos no segundo turno — tarefa que depende tanto da eficácia do diálogo com indecisos quanto da capacidade de provar e capitalizar a hipótese de prejuízo eleitoral causado pela Meta.