O candidato a vice, Geraldo Alckmin, e o advogado‑geral da União, Jorge Messias, divulgaram nesta terça (13) um vídeo promovendo o canal 'Cristãos com Lula 13', iniciativa da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva voltada a católicos e evangélicos. No material, Alckmin destaca compromissos com famílias, crianças e adolescentes; Messias pede compartilhamento e usa a hashtag #LulaComOsCristãosDoBrasil.
A ação é mais um capítulo da ofensiva do PT para recuperar terreno entre eleitores religiosos no segundo turno, seguindo o formato de comunicação segmentada que já vinha sendo testado em outros canais, como o 'Exército de Lula'. O presidente do PT, Edinho Silva, confirmou que cartas dirigidas especificamente a católicos e a evangélicos serão divulgadas ainda nesta semana, na tentativa de 'trabalhar o diálogo' com esses setores.
Politicamente, o movimento tem objetivo claro: minar apoio do eleitorado religioso a Flávio Bolsonaro no segundo turno, cenário citado pela própria campanha. Números e fidelidades desse segmento costumam ter peso decisivo em disputas apertadas, e a iniciativa busca traduzir apelos institucionais e simbólicos em votos e mobilização nas redes e nas comunidades religiosas.
Ao mesmo tempo, a presença de Jorge Messias — titular da AGU — numa peça de campanha tende a abrir discussão pública sobre a fronteira entre funções governamentais e atividade eleitoral. Não há, no vídeo divulgado, anúncio de uso de estrutura pública, mas a participação de um ocupante de cargo público em peça política inevitavelmente suscita perguntas sobre limites e percepção pública.
Em termos práticos, a estratégia do PT mistura comunicação segmentada e simbolismo: cartas e canais específicos tentam recompor laços com lideranças religiosas e eleitorado que se mostrou permeável à narrativa bolsonarista. Resta ver se o gesto será suficiente para alterar trajetórias de voto já consolidadas — ou se será mais um sinal de que a campanha busca ampliar o diálogo sem garantia de retorno eleitoral imediato.