Geraldo Alckmin procurou relativizar nesta quinta-feira (2/3) a recente queda de intenção de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em levantamentos eleitorais. Em café da manhã com jornalistas na sede do MDIC, o vice-ministro disse que as pesquisas que terão peso de verdade são as feitas no período de campanha, quando, segundo ele, os eleitores poderão comparar resultados e programas de governo.
O vice, que deixará o comando do ministério até sábado para formalizar a candidatura a vice na chapa de Lula, insistiu na ideia de que a avaliação final dependerá da disputa em si. Alckmin ressaltou a tese de confronto entre dois modelos — o que, na sua leitura, defende a democracia e o que se aproxima de tendências autoritárias — e colocou a comparação de gestões no centro da estratégia de comunicação.
Somente as pesquisas feitas no período de campanha terão realmente importância, afirmou Alckmin ao minimizar os levantamentos recentes.
Na tentativa de blindar a dobradinha, Alckmin listou avanços que, na sua visão, devem ser apresentados ao eleitorado: mudança na pauta educacional com programas de incentivo à conclusão do ensino médio, recuperação de indicadores sociais e desempenho do comércio exterior. Citou ainda melhorias no emprego e na renda como elementos a serem explorados na campanha.
Os comentários acontecem num momento em que, segundo o material divulgado esta semana, pesquisas recentes mostram redução da vantagem de Lula sobre adversários, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra crescimento nas intenções de voto. Ao menos duas sondagens apontaram diminuição da diferença entre os dois em simulações, e o Instituto Paraná Pesquisas chegou a indicar empate técnico em cenários de primeiro e segundo turno.
Do ponto de vista político, a afirmação de Alckmin tende a acentuar a principal demanda do Planalto: transformar indicadores econômicos e sociais em mensagem de campanha capaz de frear a oscilação nas intenções de voto. Se as tendências se confirmarem, a campanha terá que acelerar respostas e ajustar narrativa, sob o risco de ver a vantagem inicial se estreitar e aumentar a pressão sobre a estratégia eleitoral.
Os eleitores poderão comparar diretamente as gestões, e esse confronto é o que vai definir as preferências, acrescentou o vice.