O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta terça-feira (26), em Brasília, que a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1 é “uma tendência mundial” de redução da jornada. Em visita a uma concessionária, ele afirmou que a mudança traz ganhos sociais e econômicos, e negou que o assunto tenha cunho eleitoreiro.

Alckmin argumentou que a combinação de automação e tecnologia torna viável trabalhar menos horas por semana, lembrando setores como agricultura, indústria e serviços, onde processos e rotinas têm avançado. Segundo o vice, as principais beneficiadas serão as mulheres, que enfrentam a sobreposição entre a jornada profissional e as responsabilidades no domicílio.

Nos bastidores, o governo diz ter alinhamento com a Câmara: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Casa, Hugo Motta, e o relator Leo Prates teriam construído um acordo para reduzir a jornada das atuais 44 horas para 40 em prazo de 14 meses, com a primeira etapa podendo ocorrer ainda este ano, caso a tramitação seja célere.

O caminho até a promulgação, porém, não é automático. O texto precisará ser aprovado no Senado e já há menção a um possível entrave: a relação desgastada entre o Planalto e o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre, desde a derrota na indicação de Jorge Messias ao STF. Politicamente, a PEC expõe a necessidade de articulação do governo para transformar o consenso na Câmara em resultado efetivo no Senado e evitar desgaste por promessa não cumprida.