O vice-presidente Geraldo Alckmin foi vaiado nesta terça-feira (19/5) ao discursar na abertura da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O episódio ocorre num ano eleitoral e com a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento — que, segundo organizadores, já registrou vaias ao presidente em 2024 e 2025 —, o que amplia o significado político da reação dos prefeitos.
Em sua fala, Alckmin defendeu a descentralização e a ampliação do papel dos governos locais, argumentando que prefeitos convivem de perto com problemas e necessidades das comunidades. A menção ao tema vem antes de um encontro previsto para esta quarta (20/5) entre Lula e o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, uma tentativa clara de o Executivo recompor diálogo com gestores municipais.
A presença na marcha de pré-candidatos e a sabatina prevista com participantes como o senador Flávio Bolsonaro reforçam a dimensão eleitoral do evento. Para o governo, a ausência do presidente e a repetição das vaias apontam para um desgaste que precisa ser administrado com ações concretas para conter perda de interlocução local — sobretudo em ano em que o voto municipal e as bases regionais tendem a ganhar mais peso.
Do ponto de vista político, a cena sinaliza duas frentes de risco: a percepção de distanciamento do Palácio do Planalto em relação aos municípios e a abertura de espaço para adversários testarem ou mostrarem agendas voltadas ao municipalismo. O encontro com a CNM será observado como termômetro: mais do que gesto, prefeitos esperam medidas que impactem orçamento e execução local.