O PSB confirmou nesta quinta-feira a escolha de Geraldo Alckmin como candidato a vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. A convenção, que reuniu ministros do governo e lideranças históricas do partido, marca a formalização de uma aliança que busca repetir a composição eleitoral usada em disputa anterior, com a estratégia clara de ampliar o leque de eleitores de centro e neutralizar a narrativa do campo bolsonarista.

No palco ao lado de Lula, Alckmin fez um discurso direto contra o bolsonarismo e seus fenômenos políticos desta eleição, destacando contradições no uso de símbolos como religião e família por grupos que, segundo ele, responsabilizam-se por políticas que levaram a alto número de perdas durante a pandemia e por tentativas antidemocráticas. Em frase que resumiu o tom do evento, o ex-governador afirmou que quem não tem compromisso com a democracia não deveria disputar eleições nem buscar votos — posicionamento que eleva a temperatura política e coloca a disputa em termos de defesa do regime democrático.

Lula, por sua vez, aproveitou o espaço para listar conquistas de seu governo, citando investimentos em saúde, como a compra de equipamentos de radioterapia para o SUS, e para enaltecer a soma com Alckmin como elemento de estabilidade política. O presidente repetiu confiança na vitória da chapa, afirmando que a campanha tem estrutura e plano e chegou a projetar um desfecho já no primeiro turno, declaração que pode ser vista como tática de confiança ou, para adversários, como subestimação do cenário competitivo.

Do ponto de vista político, a convenção consolida a imagem de uma frente governista coesa e com apelo moderado, mas também expõe limites e riscos. Repetir a mesma fórmula eleitoral reduz margem de novidade e exige tradução prática em propostas que convençam além do núcleo de eleitores já alinhados; por outro lado, a retórica duríssima contra a oposição eleva a polarização e pode forçar respostas mais agressivas do adversário. A autoconfiança do discurso oficial—reforçada pela promessa de vitória antecipada—pode acender alertas sobre complacência na campanha e aumenta a pressão por resultados concretos na gestão que justifiquem a continuidade.