Na quinta-feira (27/8), o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), definiu relatorias e acelerou a tramitação de pautas como o fim da escala 6x1, o projeto Redata e a MP das chamadas "blusinhas". O movimento foi interpretado nos bastidores como um gesto público que reforça a reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os escolhidos para relatar temas sensíveis ao Palácio estão a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), indicada para a MP das Blusinhas, e Cid Gomes (PSB-CE), relator do PL do Redata. Ambos disputam cadeira no Senado em outubro: levantamento Quaest coloca Leila em segundo lugar no Distrito Federal, com 17%, atrás de Michelle Bolsonaro (25%); pesquisas no Ceará, do Real Time Big Data e do Ipsos-Ipec, mostram Cid na liderança, com percentuais na casa dos 26%–27%.

Interlocutores palacianos avaliam que a escalação funciona como uma "vitrine eleitoral": ao comandar debates de apelo popular, os senadores ganham visibilidade e capital político às vésperas da disputa. Politicamente, a medida produz efeito prático — maior exposição para candidatos — e simbólico, ao sinalizar sintonia renovada entre comando do Congresso e Executivo.

A leitura crítica é que a combinação de agenda legislativa e timing eleitoral pode confundir prioridades institucionais e abrir margem para acusações de clientelismo parlamentar. Se por um lado Alcolumbre conquista espaço de negociação com o Planalto, por outro expõe-se a críticas da oposição e à percepção de instrumentalização das mesas de trabalho em benefício de candidaturas em campanha.