O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), suspendeu a votação da PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias — proposta vista pelo governo como uma 'pauta-bomba' com custo estimado de R$ 30 bilhões em dez anos. A decisão, tomada nesta terça, dá ao Planalto um alívio temporário na agenda social e orçamentária.

Ao justificar o recuo, Alcolumbre disse estar disposto a dialogar com o Executivo, mas reclamou de pressões e ataques vindos de 'algumas autoridades da República', numa crítica direta à tentativa governista de forçar a deliberação antes do calendário eleitoral. O senador enfatizou que o Senado não aceitará ser apenas um carimbo das matérias aprovadas na Câmara e rejeitou ofensas pessoais sofridas no processo.

O adiamento saiu após reunião com a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. O encontro indica disposição para negociar, mas também revela que o governo terá de trabalhar para equilibrar a promessa eleitoral com restrições fiscais e resistência no Legislativo, agora sob maior visibilidade política.

A proposta já havia sido aprovada na Câmara e na CCJ do Senado, mas segue sem data de votação no plenário. Para o governo, a interrupção complica uma bandeira importante na pré-campanha; para o Congresso, reafirma a capacidade do Senado de frear pautas sensíveis ao gasto público. Resta saber se o adiamento resultará em ajustes técnicos ou sacramentará uma derrota política para quem vinha pressionando pela aprovação imediata.