O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), lançou um alerta público sobre a deterioração das regras de convivência entre os Três Poderes ao discursar na posse do deputado José Guimarães na Secretaria de Relações Institucionais. Segundo o senador, o ambiente político tem privilegiado agressões e ofensas, em detrimento do diálogo e da busca de soluções para a vida dos cidadãos. A fala aponta para um receio explícito de esvaziamento das normas institucionais que regem a interação republicana.
A advertência de Alcolumbre aconteceu após a divulgação do relatório final da CPI do Crime Organizado, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que indicou o pedido de indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República — proposta rejeitada pela comissão. O documento elevou a temperatura do embate entre Legislativo e Judiciário, provocando respostas ásperas de magistrados e manifestações de solidariedade dentro da Corte, segundo relatos públicos sobre a reação institucional.
Além do aspecto institucional, o presidente do Congresso fez críticas discretas ao Palácio do Planalto: ressaltou que políticas sociais recentes foram construídas com ampla participação do Parlamento e questionou a tentativa do Executivo de usá-las como capital eleitoral. Nos bastidores, essa disputa por protagonismo incomoda integrantes da base, que veem nas ações aprovadas tanto oportunidade política quanto risco de esvaziamento de mérito legislativo quando o governo procura faturar politicamente.
O diagnóstico de Alcolumbre combina preocupação com a rotina do processo político — em que decisões são, cada vez mais, pensadas em função de eleitorado e calendário eleitoral — e um chamado à restauração do diálogo entre Poderes. A continuidade dessa escalada retórica pode custar não apenas estabilidade institucional, mas também capacidade de governança para aprovar políticas e responder às demandas sociais; o recado lança sombra sobre a temperatura política dos próximos meses.