O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assinou ontem à noite o despacho que encaminha a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6 x 1 para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A PEC, já aprovada pela Câmara, estava parada na Casa desde 28 de maio, segundo a assessoria do senador.
Nos bastidores, a paralisação vinha sendo atribuída à crise de interlocução entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprofundada em abril com a rejeição da indicação do advogado‑geral da União, Jorge Messias, ao Supremo — episódio em que Alcolumbre defendeu Rodrigo Pacheco para a vaga. A reaproximação entre os dois ocorreu na semana passada, com encontros que incluíram visita a operação da Petrobras na Margem Ocidental, onde a empresa anunciou descoberta no litoral do Amapá.
Além da PEC 6 x 1, o presidente do Senado também assinou despacho para encaminhar à tramitação a proposta do governo sobre Segurança Pública e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O movimento foi comemorado pelo Planalto: Lula divulgou vídeo em que se mostra otimista sobre a aprovação da medida provisória que elimina a chamada 'taxa das blusinhas' — a MP precisa ser votada até 8 de setembro para não perder validade.
A iniciativa reduz uma fonte de atrito entre Congresso e Executivo e pode acelerar pontos da agenda governista, mas não significa votação garantida em plenário. Encaminhar à CCJ é etapa necessária, porém inicial: o governo e seus aliados terão de negociar conteúdo, quóruns e calendário para transformar despacho em projeto aprovado. Politicamente, a decisão traduz um ajuste tático de Alcolumbre que alivia pressão imediata, mas mantém incertezas sobre o ritmo e o custo político da aprovação final.