A sucessão no Supremo voltou a funcionar como moeda de barganha entre o Planalto e o Senado. Nos bastidores, líderes congressuais e interlocutores do Executivo trabalham com a expectativa de que o presidente Lula encaminhe em novembro a nomeação de Rodrigo Pacheco para a cadeira deixada por Luis Roberto Barroso. O movimento, que tem Davi Alcolumbre como articulador no Senado, é visto como tentativa de recompor o diálogo entre os dois poderes após o desgaste causado pela rejeição anterior do advogado-geral da União, Jorge Messias.
A hipótese não é apenas uma escolha para o STF: implicaria também a abertura de uma vaga no Tribunal de Contas da União. Pacheco tomou posse no TCU há pouco tempo, após indicação do Senado e aprovação na Câmara, e sua transferência para o Supremo acionaria nova rodada de articulações políticas. No Planalto, entre as alternativas mencionadas para preencher eventual vaga no TCU está Simone Tebet — nome que reúne interlocução com setores do centro e que, embora derrotada em disputa eleitoral, segue sendo avaliada por manter diálogo com diferentes bancadas.
Do ponto de vista político, a iniciativa tem dupla leitura imediata. Para o Executivo, a indicação de um ex-presidente do Senado pode amenizar a tensão com a cúpula legislativa e acelerar votações de interesse do governo, se Alcolumbre de fato conduzir com prioridade a sabatina. Para opositores e críticos, porém, a operação acende alerta sobre a troca de espaços institucionais por ganhos conjunturais: a movimentação pode ser interpretada como negociação de cúpulas e aumentar desgaste por aparente instrumentalização de vagas em cortes constitucionais e de controle.
Há ainda riscos processuais e simbólicos. A tentativa de acelerar tramitação — citada por interlocutores como possível estratégia — expõe o candidato a maior escrutínio público e político durante a sabatina. E a abertura de nova vaga no TCU promete alargar lista de pretendentes e conflitos entre grupos do Congresso e do Executivo, com consequência direta sobre a distribuição de poder entre tribunais e esferas de controle. Em suma: a articulação por Pacheco sinaliza não só uma estratégia para reduzir atrito imediato, mas também reabre o jogo por espaços institucionais que terá efeitos políticos e institucionais além de novembro.