A 9ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que mira um suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master, voltou a colocar o Senado e o governo Lula no epicentro político. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontado pela investigação como suposto beneficiário central de vantagens econômicas, segundo o relatório divulgado pela PF. A ação provocou reações imediatas em Brasília: apoio formal de aliados, repúdio da oposição e sinais de desgaste institucional para o Executivo.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, adotou tom institucional ao reclamar contra a condenação antecipada de políticos alvos de operações e defender a presunção de inocência. O posicionamento busca preservar regras processuais, mas também expõe um ambiente em que as investidas da PF são politizadas na hora de repercutir no plenário e na opinião pública. Do outro lado, Flávio Bolsonaro — pré-candidato presidencial — transformou a operação em munição política, atacando o PT e vinculando a ação ao suposto centro do problema no estado da Bahia.
A movimentação tende a agravar a polarização e a complicar a agenda do governo no Congresso. A liderança de Wagner no Senado dá dimensão institucional ao caso: além do impacto na reputação do PT, aliados poderão sofrer pressão para se distanciar enquanto a oposição capitaliza narrativas de corrupção. O episódio também reacende menções a outros parlamentares citados nas apurações do Master, como Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, que negaram irregularidades.
O PT emitiu nota de confiança em Wagner e afirmou apoiar as apurações, enquanto a defesa do senador e do banqueiro Augusto Ferreira Lima ainda não havia se manifestado publicamente até o fechamento das primeiras reportagens. Em curto prazo, o Planalto terá de administrar o risco político e a percepção de seletividade nas investigações, sob o olhar atento de aliados e adversários que já desenham cenários para 2026.