O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu nesta quarta-feira (1º/7) lideranças de centrais sindicais para tratar da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1. Apesar de ter sinalizado disposição para avançar com a matéria, o encontro terminou com uma promessa de trabalho conjunto — e sem um prazo concreto para o início formal da tramitação. A falta de data específica amplia a incerteza sobre o ritmo do processo legislativo e mantém atores-chave — governo, empregadores e trabalhadores — sem referência clara sobre prazos.
Segundo representantes das centrais, Alcolumbre assumiu o compromisso de construir um calendário de atividades para a PEC em articulação com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e com o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos autores da iniciativa. A promessa de um cronograma foi apresentada como avanço político, mas não houve definição sobre quando o texto será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa condicionante para qualquer avanço rumo ao plenário. Relator ainda não foi escolhido, o que mantém o rito em suspenso.
No aspecto técnico, a PEC aprovada na Câmara prevê a redução gradual da jornada — de 44 para 42 horas em até 60 dias após promulgação e para 40 horas em 14 meses — e exige que, para ser promulgada, passe pela CCJ e depois obtenha três quintos dos votos (49 senadores) em dois turnos. Caso o Senado altere o conteúdo, a proposta retornará à Câmara. Fontes ouvidas indicaram que Alcolumbre considera o prazo de transição aprovado pelo plenário da Câmara excessivamente longo e que a tendência é optar por uma emenda de redação no Senado para encurtar prazos sem mexer no mérito, medida que evitaria remessa obrigatória ao outro ramo.
O gesto de prometer um calendário sem fixar prazos práticos acende alerta político. Do ponto de vista governista, a ambiguidade ajuda a postergar custos políticos imediatos, mas amplia o espaço para críticas de sindicatos e pressiona empregadores que precisam planejar mudanças operacionais. Para a oposição e para o mercado, a indefinição sinaliza fragilidade na coordenação do Senado sobre pautas sensíveis ao custo do trabalho. Em resumo: o compromisso anunciado reduz o ruído momentâneo, mas não resolve a incerteza normativa — e deixa em aberto se haverá força política suficiente para acelerar a implementação sem provocar rechaço institucional ou necessidade de revisão pela Câmara.