O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 terá de seguir o trâmite regular nas comissões da Casa. A declaração, dada após questionamento em plenário, afasta a hipótese de carimbar imediatamente o texto aprovado na Câmara e sinaliza a disposição do Senado de submeter a matéria a novas análises e debates.

Alcolumbre disse não ser 'a favor nem contra' a PEC, mas sim a favor de um debate amplo, ouvindo trabalhadores, empresários e especialistas. Ele justificou que, por se tratar de tema de grande impacto social e econômico, o Senado tem responsabilidade de avaliar com calma e, quando razoável, aperfeiçoar o texto que chegou da Câmara. A definição de roteiro ficou condicionada a reunião de líderes prevista para a próxima semana.

A posição do presidente do Senado põe em xeque o esforço de lideranças governistas que defendem votação ainda em junho, sem alterações. Se o Senado modificar a proposta, será necessário retorno à Câmara, o que pode ampliar o desgaste político e criar custo para parlamentares favoráveis a mudanças. A oposição já apresentou alternativa para manter a jornada atual e abrir a possibilidade de contratos por hora, enquanto líderes como Rogério Marinho se posicionam contra a redução.

Além do mérito, há um cálculo político em jogo: a tramitação por comissões cria prazos, audiências e risco de desgaste em ano eleitoral, algo que o próprio Alcolumbre reconheceu ao admitir que escolhas 'razoáveis' nem sempre chegam a votações por conta do calendário eleitoral. O presidente informou que conversará com o presidente da CCJ, Otto Alencar, para definir relatoria e cronograma; por enquanto, o Senado dá sinais de que exercerá papel de filtro e remodelação do texto enviado pela Câmara.