O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu com veemência às críticas de colegas por não ter colocado em pauta pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao qualificar as manifestações nas redes como ataques pessoais e calculados, Alcolumbre associou as investidas a uma estratégia eleitoral: segundo ele, há senadores que preferem a exposição e a agressão pública para angariar curtidas e votos, em vez de apresentar propostas programáticas ao país.
Na defesa de sua postura institucional, o senador reclamou de uma rotina de hostilidade que, em sua avaliação, tem tornado a convivência parlamentar menos deliberativa e mais performática. Ele ressaltou a facilidade do ambiente virtual para encenar confrontos — filmagens, vídeos e postagens que, na leitura do presidente do Senado, serviriam a candidaturas em busca de visibilidade no período pré-eleitoral. O argumento traz para o palco público um ponto central: a disputa por protagonismo nas redes sociais pode deslocar o debate sobre instituições e medidas concretas.
A crítica de Alcolumbre acende alerta sobre dois efeitos políticos imediatos. Primeiro, amplia desgaste em torno da dinâmica interna do Senado, pressionando o presidente tanto por parte de quem cobra ação quanto por quem teme precedentes institucionais. Segundo, complica a narrativa pública ao transformar temas de alta relevância — como eventual responsabilização de magistrados — em espetáculo eleitoral. Para a governabilidade e para a própria legitimidade do Parlamento, a instrumentalização de pautas sensíveis em função de estratégias de campanha é um fator de erosão do debate técnico e da confiança institucional.
Ao deslocar o foco para conteúdo, o presidente cobrou que os críticos apresentem alternativas, citando áreas como educação e logística como exemplos de prioridades que exigem propostas e não apenas agressões. A declaração funciona como apelo à agenda programática em um momento em que a política se aproxima das urnas: aponta para um Senado mais vulnerável à escalada de conflito performático e indica que, se a tática de exposição prevalecer, a pressão sobre a presidência da Casa deverá aumentar nas próximas semanas.