O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebe nesta quarta-feira representantes do governo, parlamentares da base e dirigentes de centrais sindicais para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1. A reunião acontece na residência oficial, poucas horas antes da sessão temática marcada no plenário, e ocorre num momento em que a proposta aprovada pela Câmara ainda aguarda o início formal da tramitação no Senado.
Alcolumbre tem afirmado que o Senado fará uma análise própria da matéria e não apenas referendará o texto vindo da Câmara. Devem participar da conversa a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), o senador Paulo Paim (PT-RS), a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O Executivo será representado pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego). A estratégia de ouvir sindicatos e empresários já vinha sendo adotada pelo presidente da Casa.
A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas — mantendo o limite diário de oito horas salvo compensação em acordo coletivo — e prevê uma transição: duas horas deverão ser reduzidas em até dois meses após promulgação e as outras duas em até um ano. Acaba com a escala 6x1, garantindo ao trabalhador pelo menos duas folgas remuneradas por semana, preferencialmente um domingo; a nova regra passa a valer 60 dias após promulgação. Convenções e acordos incompatíveis perderão automaticamente a validade ao fim desse prazo. Ficam excluídos da mudança profissionais com nível superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do INSS (cerca de R$ 21 mil).
O convite ao diálogo revela a tentativa de Alcolumbre de mediar tensões e moldar um texto que equilibre direitos sociais e custos para empregadores. A proposta acende alerta entre empresários e setores produtivos, que apontam a necessidade de ganhos de produtividade, investimentos e qualificação para mitigar riscos a empregos e custos. Politicamente, o episódio complica a gestão do governo no Congresso: qualquer alteração no Senado pode ampliar o custo político da matéria ou forçar negociações adicionais com sindicatos e a base aliada.